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Felipe
  • 26 de setembro de 2026 às 07:00

ALTA NOS PREÇOS A VISTA: EL NINÕ PREJUDICA SAFRAS DE MILHO, ARROZ E SOJA NO BRASIL

As maiores preocupações agora se concentram no milho e no arroz. Ambos são alimentos fundamentais na dieta dos brasileiros.

Foi divulgado na última quinta-feira (24) o Relatório de Política Monetária do mês de setembro do Banco Central. Nele, os técnicos estimam que o fenômeno El Niño pode trazer efeitos negativos para a produtividade agrícola brasileira já em 2027. Os impactos são diversos e devem ser sentidos em várias cadeias de produção, sobretudo no milho, algodão, arroz e soja. Para a soja, o efeito esperado tende a ser mais ameno, enquanto para os demais produtos o impacto pode ser mais significativo.

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Ao analisar os efeitos tanto do El Niño quanto da La Niña sobre a produtividade das principais lavouras brasileiras, o estudo considera as diferentes culturas e estados. Isso porque, devido à ampla extensão territorial do Brasil, os efeitos climáticos variam bastante entre regiões. Segundo o levantamento, os episódios de El Niño estão associados a menores produtividades de milho, algodão e arroz na maioria dos estados produtores. Já no caso da soja, os resultados são mais positivos nos estados do Sul, enquanto as dificuldades começam a preocupar especialmente no Piauí e no Maranhão.

Grandes preocupações à vista

As maiores preocupações agora se concentram no milho e no arroz. Ambos são alimentos fundamentais na dieta dos brasileiros. O milho aparece como o mais vulnerável, com o Banco Central apontando que os efeitos negativos devem ser mais relevantes na segunda safra — responsável pela maior parte da produção nacional. Na safra atual (2025/26), a segunda safra pode ultrapassar 113 milhões de toneladas, um salto expressivo em comparação com a primeira. Considerando as projeções climáticas, o estudo estima um impacto negativo de magnitude preocupante sobre a produtividade da safra de milho 2026/27, o que pode afetar milhões de produtores e famílias. O arroz também enfrenta riscos. O efeito negativo do El Niño preocupa especialmente porque o Rio Grande do Sul responde por mais da metade da produção nacional. Entre os impactos previstos estão a redução da área cultivada devido à escassez de chuvas em determinados meses e o aumento das temperaturas, fatores que contribuem para uma safra menor nas próximas colheitas.

Riscos batendo à porta

Embora as previsões não sejam favoráveis para produtores, compradores e consumidores, o Banco Central ressalta que os dados devem ser interpretados como riscos potenciais, e não como informações definitivas sobre as safras futuras. Além da produção, o fenômeno climático acende um alerta para a inflação. As expectativas para 2027 indicam uma alta de 4,10% para 4,30%, com contribuição relevante dos preços dos alimentos. Outras pesquisas projetam cenários ainda mais agressivos, variando de 5,0% a 5,67%.

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Com a elevação dos preços, o consumidor final tende a gastar mais com alimentação, enquanto a quantidade adquirida vem diminuindo nos últimos meses. Resta saber se os impactos do El Niño se confirmarão conforme as previsões ou se haverá espaço para uma melhora na produção e, consequentemente, uma queda nos preços.